PROPÓSITO. VOCÊ TÁ VIVA OU SÓ RESPIRANDO?

Esses dias eu ouvi: “nem todo mundo tem propósito, nem todas as pessoas tem seu propósito tão na superfície.” E eu concordei. Penso que é uma menor parte das pessoas que consegue ter isso claro, ou ao menos já parou pra pensar sobre isso alguma vez.… Eu tive metas claras na maior parte dos meus projetos desde o meu primeiro trabalho. Mas na minha carreira/vida, comecei a pensar e olhar pro meu propósito há uns 4 anos…. ou seja, trabalhei 15 anos com apenas metas financeiras.

A tecnologia nunca teve tão disponível ao ser humano. A idade média de longevidade nunca foi tão alta. Em contrapartida os índices de depressão nunca foram tão alto (hoje existem 322 milhões de pessoas diagnosticadas com essa doença), o nível de poluição e destruição da natureza também nunca foram tão altos (animais ameaçados em extinção no Brasil cresceu 75% em 11 anos). E no meu ponto de vista, não adianta de nada tanta tecnologia, anos a mais, se você ainda não sabe: pra onde? e porque ir? e pq vc faz o que faz?

E aí vai aquela pergunta, que talvez não tenha resposta: “E o que a sua marca/empresa faz pra colaborar ou pra evitar esse cenário? De que lado da mesa ela está? Produzindo pessoas doentes em ambientes de trabalhos robotizados, ou criando condições de trabalho para pessoas e do meio ambiente viverem em harmonia?”

Tenho acompanho empreendedoras em processos de Mentoria, e uma das minhas primeiras perguntas é essa: “QUAL O SEU PROPÓSITO?”  E na maioria das vezes é respondida com um silêncio, um vácuo constrangedor. De certa forma, eu acabo ficando feliz, e olhando isso pelo copo meio cheio. Ou seja, vamos trabalhar esse assunto.  E entender de fato o que é relevante pra essa pessoa que está sentada a minha frente. Criar meios que permitam para que ela  possa se olhar sem filtro, sem padrões e sem caixa quadrada. Entenda: vc tem muito valor nesse mundão, pra viver sem saber o que quer e pra onde você quer ir; Ou melhor, o que te motiva a ir? Pq vc levanta todas as manhãs?

Vivemos, desde o início da era industrial, uma robotização das pessoas. Seguindo um ciclo muito bem desenhado de escola, faculdade, mercado de trabalho, aposentadoria e morte. Na escola: aprendemos que devemos ser igual a todas as crianças, não podemos ter autonomia e sim seguir regras muito claras de uma “fábrica de conteúdo”. E questiona-las o mínimo possível, ou não questionar. Escolas são programadas pra ensinar e não pro aluno aprender. Quando você tem o objetivo que a pessoa aprenda, seus olhos e movimentos são pensando no outro e não em si.  Aí depois de 9 anos de escola,  aos 16/17 anos nos dão o primeiro direito de “escolha”. O que você vai cursar na faculdade? Pode escolher entre a profissão de seus pais ou alguma que “dê dinheiro”. Fazer um estágio e depois disso candidatar-se a ser o melhor robô que você puder ser até seus 42 anos, onde será descartado pois já teremos novos robôs, dispostos a dar o sangue/vida, em seu lugar. 

Lá pelos  seus 30/35 anos ou antes, com muita sorte, você vai começar a se questionar: “O que eu to fazendo nessa empresa, o que eu to fazendo da minha vida? Como eu faço o que de verdade eu gosto?” Estamos diante de grandes perguntas, que podem ser respondidas via de regra com: trabalhando pra pagar minhas contas, ou ainda, quero ganhar mais dinheiro e mais poder (ser gerente/diretor).

Quando você estiver com mais de 40 anos, com uma bela grana no banco e com uma boa infraestrutura para sua família vai olhar para traz e dizer: não vi meus filhos crescerem, estava viajando no aniversário de 15 anos da minha sobrinha. Mas sou um executiva (robô) de sucesso, “Vem cá, que eu vou te contar como faz!”  E aí,  via de regra você vai virar consultor/conselheiro/mentor de novos robôs!

E esse, foi um “final de carreira”, que eu NÃO escolhi. Decidi que não chegaria aos meus 40 anos como uma das executivas de mais sucesso do mercado em detrimento da minha vida, dos meus valores como pessoa, da infância da minha filha, do convívio com a minha família. Quebrei o Matrix e reprogramei o meu conceito de sucesso, fiz um estudo profundo e encontrei o fio da meada em direção ao meu Própósito. (dica de leitura: A terceira medida do Sucesso!)

Olhar com o coração o que se quer e o que se faz como trabalho todos os dias, mudará o sentido da sua vida profissional. Respeitar as suas diferenças/crenças/valores em detrimento  a “normose” (outro livro massa!) dessa sociedade industrializada, é um dos primeiros passos pra acessar o seu propósito. Mesmo que você tenha iniciado o seu negócio com objetivo de ganhar dinheiro, encontrar um propósito no meio disso fará com que você tenha combustível extra para queimar, quando for exigido. Vai olhar a sua vida com mais cores. Conectando o que tem dentro de você com o negócio que você criou.

E encontrar nosso propósito pode ser tão complexo quanto escolher a faculdade que iremos cursar porque não somos programados pra pensar, somos programados, durante muitos anos na nossa grade curricular, pra executar.

O médico austríaco Viktor Frankl, autor da teoria da Logoterapia, tem a linda frase: “O ser humano não precisa de uma existência tranquila, mas sim de um desafio para exercitar seus talentos e lutar.”

Então, não desejo a você dias fáceis ou vida leve. Eu desejo a você: o encontro do seu coração com seu PROPÓSITO, para exercitar a sua melhor versão na batalha desta vida! E passe a viver, além de só respirar.

[ Fabi Nunes/NAU25 ]  Mentora e Consultora de Empreendedoras

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